Conceito

Perispírito

perispírito, envoltório semimaterial, corpo espiritual

Perispírito

Definição

O perispírito é o envoltório semimaterial que reveste o Espírito propriamente dito. É extraído do Fluido Universal de cada globo e serve como intermediário entre o Espírito e o corpo físico durante a encarnação. O nome vem de analogia com o perisperma dos frutos: "assim como o gérmen de um fruto é envolvido pelo perisperma, o Espírito propriamente dito é revestido por um envoltório que, por comparação, se pode chamar perispírito" (O Livro dos Espíritos, Q. 93, comentário de Kardec).

Na codificação

Segundo O Livro dos Espíritos:

  • O Espírito está envolvido por "uma substância que é vaporosa para ti, mas ainda bastante grosseira para nós" (Q. 93).
  • O perispírito é extraído do fluido universal de cada globo, razão pela qual muda quando o Espírito passa de um mundo a outro: "como mudais de roupa" (Q. 94).
  • Quando Espíritos de mundos superiores vêm ao nosso meio, tomam um perispírito mais grosseiro (Q. 94-a).
  • O perispírito pode tomar a forma que o Espírito desejar, tornando-se visível e até palpável em certas condições (Q. 95).

O grau de sutileza do perispírito está ligado ao adiantamento moral e intelectual do Espírito na Escala Espírita: Espíritos mais elevados possuem perispírito mais etéreo; Espíritos inferiores, mais denso.

No Livro dos Médiuns

O Livro dos Médiuns, Cap. VII (§ 100-114), desenvolve as propriedades do perispírito como agente das manifestações espíritas:

  • O perispírito é o intermediário pelo qual os Espíritos atuam sobre a matéria: todos os fenômenos mediúnicos (movimentos de objetos, aparições, materializações, escrita direta) são produzidos pela ação do Espírito sobre seu próprio perispírito (§ 100-103).
  • As aparições são possíveis porque o Espírito pode dar ao perispírito uma aparência visível e até tangível, por condensação do fluido perispiritual (§ 104-108).
  • A tangibilidade temporária permite que Espíritos produzam efeitos físicos perceptíveis — toques, pressões, movimentação de objetos (§ 109-112).
  • O perispírito pode tomar a forma que o Espírito desejar, inclusive reproduzindo a aparência que tinha quando encarnado, o que explica as aparições reconhecíveis (§ 104).

Os sete centros de força — expansão em Entre a Terra e o Céu

Entre a Terra e o Céu (Caps. 5-6) apresenta a estrutura detalhada dos centros de força do perispírito — sete núcleos de energia que conectam o corpo espiritual ao corpo físico e organizam as funções vitais, mentais e espirituais do ser encarnado:

Centro Localização Funções e responsabilidades
Coronário Topo da cabeça Conexão com planos superiores; intuição espiritual elevada
Cerebral Cérebro Pensamento, inteligência, faculdades mentais
Laríngeo Garganta/laringe Palavra, comunicação, responsabilidade moral da expressão oral
Cardíaco Coração Amor, emoção, sentimentos, afetividade
Esplênico Baço Força vital, resistência orgânica
Gástrico Estômago/abdome Assimilação material, instintos de subsistência
Genésico Região pélvica Reprodução, sexualidade, centro receptor na reencarnação

O livro apresenta esses centros em contexto clínico-espiritual: doenças físicas que resistem ao tratamento frequentemente têm sua origem no desequilíbrio de centros específicos. A ferida glótica de Júlio (suicida com morte por intoxicação) localizava-se no centro laríngeo — região da palavra e da responsabilidade moral.

A mecânica da reencarnação — expansão em Entre a Terra e o Céu

Entre a Terra e o Céu (Caps. 29-30) fornece a descrição técnica mais detalhada do que ocorre ao perispírito durante o processo reencarnatório:

A contração perispiritual

O perispírito é constituído de princípios químicos semelhantes ao hidrogênio, com moléculas significativamente distanciadas umas das outras. Quando o reencarnando se une ao centro genésico feminino (útero materno), sofre forte contração eletromagnética:

"Constituído à base de princípios químicos semelhantes, em suas propriedades, ao hidrogênio, a se expressarem através de moléculas significativamente distanciadas umas das outras, quando ligado ao centro genésico feminino experimenta expressiva contração, à maneira do indumento de carne sob carga elétrica de elevado poder. Observa-se, então, a redução volumétrica do veículo sutil pela diminuição dos espaços intermoleculares."

O material que não serve ao processo de refundição da forma é devolvido ao plano etéreo. Os princípios organogênicos essenciais concentram-se no santuário materno e, "à maneira de um ímã, vão aglutinando sobre si os recursos de formação do novo vestuário de carne."

Analogia de Clarêncio: "Imaginemos um pêssego amadurecido, lançado à cova escura, a fim de renascer. Decomposto em sua estrutura, restituirá aos reservatórios da Natureza todos os elementos... reduzindo-se no imo do solo ao embrião minúsculo que se transformará, no espaço e no tempo, em novo pessegueiro."

O seio materno como vaso anímico

"É um vaso anímico de elevado poder magnético ou um molde vivo destinado à fundição e refundição das formas, ao sopro criador da Bondade Divina, que, em toda a parte, nos oferece recursos ao desenvolvimento para a Sabedoria e para o Amor. Esse vaso atrai a alma sequiosa de renascimento e que lhe é afim, reproduzindo-lhe o corpo denso, no tempo e no espaço, como a terra engole a semente para doar-lhe nova germinação."

A recapitulação biológica

"Cada ser que retoma o envoltório físico revive, automaticamente, na reconstrução da forma em que se exprimirá na Terra, todo o passado que lhe diz respeito, estacionando na mais alta configuração típica que já conquistou." — o feto recapitula em velocidade acelerada toda a história biológica do Espírito que reencarna.

O perispírito como transmissor das enfermidades da alma

As enfermidades perispirituais transferem-se para o corpo físico em formação: a ferida glótica de Júlio (perispiritual) manifesta-se como deficiência congênita na glote do bebê, tornando-o vulnerável à difteria. "O cosmo celular do novo organismo estará impregnado pelas forças do pensamento enfermiço de nosso irmão que regressa ao mundo."

A gravidez torna-se estado mediúnico: a gestante sofre "verdadeira enxertia mental" — os pensamentos do ser que se acolhe ao santuário íntimo a envolvem totalmente, determinando alterações no seu cosmo biológico. Os enjoos da gravidez resultam da absorção de fluidos em desintegração do reencarnando. Os sinais de nascença são impressões psíquicas do feto sobre o campo perispiritual em formação.

Fisiologia detalhada — expansão em Evolução em Dois Mundos

Evolução em Dois Mundos é o tratado mais técnico e científico da série André Luiz e a obra que mais aprofunda a fisiologia espiritual. André Luiz descreve cada centro de força com precisão anatômica, usando analogia direta com biologia, neurologia e medicina.

Os sete centros de força com mapeamento fisiológico completo

A obra expande significativamente a tabela dos centros de força apresentada em Entre a Terra e o Céu, adicionando as funções físicas e espirituais de cada região e citando explicitamente os órgãos responsáveis:

Centro Órgão físico Função espiritual Função física
Coronário Diencéfalo / tálamo / glândula pineal Conexão com planos superiores; governo mental; mediunidade Sensações sutis, meditação, discernimento
Cerebral Córtex encefálico Inteligência; faculdades mentais; memória crítica Percepção, seleção, memória, linguagem
Laríngeo Laringe, cordas vocais Palavra; responsabilidade da expressão; comunicação espiritual Fonação, comunicação
Cardíaco Coração, circulação Amor, emoção, afetividade Circulação sangüínea
Esplênico Baço, sistema hematopoético Força vital, defesa, imunidade Formação de células sangüíneas; imunologia
Gástrico Estômago, aparelho digestivo Assimilação, subsistência Digestão
Genésico Órgãos reprodutores Reprodução, criação, centro receptor na reencarnação Sexualidade, reprodução

André Luiz descreve as células de cada região como "funcionárias" do respectivo centro vital: "funcionárias da reprodução no centro genésico, trabalhadores da digestão e absorção no centro gástrico, operários da respiração e fonação no centro laríngeo, da circulação no centro cardíaco, servidoras e guardiãs fixas ou migratórias do tráfego e distribuição, reserva e defesa no centro esplênico, auxiliares da inteligência e elementos de ligação no centro cerebral e administradoras e artistas no centro coronário."

O centro coronário e o tálamo

Dado anatômico preciso: o centro coronário reside no tálamo e hipotálamo (diencéfalo). Todos os impulsos aferentes ao córtex cerebral — exceto o olfato — passam pelo tálamo. É aí que o pensamento mental é secretado e irradiado para todo o organismo.

A identificação do centro coronário com o diencéfalo tem implicação clínica: Espíritos endoparasitas conscientes "senhoream os neurônios do hipotálamo, controlando o centro coronário" — daí a explicação espiritual para perturbações do sistema nervoso autônomo (viscerais, via simpático e parassimpático) em casos de obsessão.

A glândula pineal — precursora da mediunidade

André Luiz traça a história evolutiva da glândula pineal com rigor zoológico. A epífise começa a se consolidar nos lacertídeos (répteis): no rincocéfalo da Nova Zelândia (Sphenodon punctatus), a epífise embrionária se prolonga até à região parietal, assumindo a feição de um olho com implementos característicos — estrutura fotossensível real.

André Luiz comenta: "aí que a epífise começa a consolidar-se, por fulcro energético de sensações sutis para a tradução e seleção dos estados mentais diversos, nos mecanismos da reflexão e do pensamento, da meditação e do discernimento, prenunciando as operações da mediunidade."

No ser humano, a pineal não retrocedeu — tranformou-se em órgão de sensações sutis, meditação e discernimento. É o substrato físico do centro coronário.

O pigmento ocre — fator de fixação

Neurônios acumulam ao longo da vida um pigmento amarelo-acastanhado (lipofuscina). No plano espiritual, esse pigmento é chamado de "fator de fixação": "como que a encerrar a mente em si mesma, quando esta se distancia do movimento renovador em que a vida se exprime e avança".

O pigmento se adensa com a idade e conforme a atitude mental do Espírito:
- Mente estagnada, fechada à renovação → acúmulo acelerado de pigmento ocre
- Mente ativa, em aprendizado contínuo → o pigmento se rarefaz e é reabsorvido

É o substrato fisiológico da rigidez mental senil e, espiritualmente, do enclausuramento da alma em seus próprios padrões.

Cromossomos e bióforos

Evolução em Dois Mundos oferece a interpretação espiritual mais detalhada da genética e da biologia celular disponível em toda a série André Luiz:

Cromossomos — André Luiz os descreve como "concentrações fluídico-magnéticas espirituais" — arquivos perispirituais que registram os caracteres morais e intelectuais da mente do Espírito. Não são apenas instruções químicas, mas condensações de experiências acumuladas ao longo de múltiplas encarnações, que determinam as tendências inatas do ser.

Bióforos — unidades de força psicossomática no citoplasma celular. Os estados mentais do Espírito irradiam-se pelo perispírito e chegam aos bióforos, que refletem esses estados nas células. Células sadias produzem organismos sadios; perturbações mentais crônicas produzem perturbações biofóricas que se cristalizam em doenças físicas.

Mitocôndrias — descritas como "acumulações de energia espiritual" nas células — os centros energéticos que sustentam a vida celular são vistos, no plano espiritual, como reservatórios de força vital.

Automatismo fisiológico como memória espiritual

O automatismo dos órgãos — batimento cardíaco, peristaltismo intestinal, reflexos neurológicos — é explicado como experiência evolutiva acumulada: o que hoje é reflexo automático foi, em algum ponto da evolução, um ato consciente que se "sedimentou" no organismo por repetição. Descartes e seus "espíritos animais" são mencionados como precursor intuitivo desta compreensão.

O princípio: cada função orgânica é a herança de gerações de Espíritos que exerceram aquela função conscientemente. O automatismo é a memória do corpo.

O "corpo bioplásmico" soviético — expansão em Dos Hippies aos Problemas do Mundo

No programa Dos Hippies aos Problemas do Mundo (Pinga-Fogo, TV Tupi, dezembro de 1971, Cap. 8), o parapsicólogo Dr. Ernani Guimarães Andrade e o deputado Freitas Nobre perguntam a Chico Xavier sobre a descoberta soviética da efluviografia pelo casal Semion e Valentina Kirlian: cientistas fotografaram a "aura dos seres vivos" e postularam a existência de um "corpo bioplásmico" intimamente relacionado ao corpo físico.

Chico identifica imediatamente o corpo bioplásmico com o perispírito e explica que, sem o corpo espiritual como mediador da vida, não se poderiam compreender fenômenos fisiológicos como a produção da adrenalina pela medular da suprarrenal, a acetilcolina no parassimpático, nem a bradicilina no mecanismo da dor: "Só pelo corpo espiritual poderemos compreender a existência da bradicilina no mecanismo da dor e tantos fenômenos neste mundo prodigioso, que é o nosso próprio cérebro, cabina maravilhosa, dentro da qual, ou por intermédio da qual, a nossa mente pode viver e se manifestar."

E acrescenta a tese fundamental: "Alguns cientistas disseram que a mente não tem existência sem a organização física, mas estamos absolutamente certos de que, sem a mente, não temos a existência na organização física." A mente precede o corpo, e o perispírito é o mediador entre ambos.

Freitas Nobre complementa citando publicação da Universidade da Califórnia (Thelma Moss) segundo a qual "certas doenças, antes de se manifestarem no corpo físico, se manifestam neste corpo bioplasmático" — confirmação científica do princípio espírita de que o perispírito é o molde vivo do corpo material.

Conceitos relacionados

  • Fluido Universal — Matéria-prima do perispírito; fluído cósmico como plasma divino em Evolução em Dois Mundos
  • Escala Espírita — O grau de pureza do perispírito reflete o adiantamento do Espírito
  • Desencarnação — Na morte, o Espírito se separa do corpo mas conserva o perispírito
  • Espírito e Matéria — O perispírito é o elo entre os dois princípios
  • Mediunidade — O perispírito é o agente fisiológico que permite a mediunidade
  • Reencarnação — O perispírito sofre a contração eletromagnética que viabiliza o renascimento
  • Obsessão — Os endoparasitas conscientes atuam sobre o tálamo (centro coronário) via perispírito

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