Conceito

Escala Espírita

escala espírita, hierarquia dos Espíritos, ordens de Espíritos

Escala Espírita

Definição

A escala espírita é a classificação dos Espíritos segundo o grau de perfeição moral e intelectual alcançado. Estabelecida em O Livro dos Espíritos (Q. 100), divide os Espíritos em três ordens principais e dez classes, da mais imperfeita à mais elevada. A progressão é contínua e gradual — não há linhas de demarcação absolutas entre as classes.

Na codificação

Três ordens principais

Terceira ordem — Espíritos imperfeitos (classes 10 a 6): Predominância da matéria sobre o espírito. Caracterizam-se pela ignorância, orgulho, egoísmo e paixões inferiores. Têm a intuição de Deus mas não o compreendem.

  • 10ª classe — Espíritos impuros: Inclinados ao mal, dão conselhos pérfidos, insuflam discórdia. Quando encarnados, são inclinados a todos os vícios (Q. 102).
  • 9ª classe — Espíritos levianos: Ignorantes, maliciosos, zombeteiros. Comprazem-se em mistificações e pequenos aborrecimentos. São os "duendes" e "diabretes" da tradição popular (Q. 103).
  • 8ª classe — Espíritos pseudossábios: Conhecimentos amplos mas presunçosos; misturam verdades com erros absurdos (Q. 104).
  • 7ª classe — Espíritos neutros: Nem bons nem maus, apegados às coisas materiais (Q. 105).
  • 6ª classe — Espíritos batedores e perturbadores: Produzem manifestações físicas (ruídos, movimento de objetos), agentes de Espíritos superiores ou inferiores (Q. 106).

Segunda ordem — Espíritos bons (classes 5 a 2): Predominância do espírito sobre a matéria. O desejo do bem é sua preocupação principal.

  • 5ª classe — Espíritos benévolos: Bondade é sua qualidade dominante, protegem e auxiliam os homens (Q. 107).
  • 4ª classe — Espíritos sábios: Distinguem-se pelo alcance dos conhecimentos; preocupam-se mais com questões científicas que morais (Q. 108).
  • 3ª classe — Espíritos de sabedoria: Qualidades morais elevadas, embora não possuam ciência ilimitada (Q. 109).
  • 2ª classe — Espíritos superiores: Reúnem ciência, sabedoria e bondade. Linguagem sempre digna e elevada (Q. 110).

Primeira ordem — Espíritos puros (classe 1): Atingiram o grau supremo de perfeição. Já não precisam reencarnar. "Tendo alcançado a perfeição, não têm mais provas a sofrer" (Q. 113).

Princípios da classificação

  • A classificação não é rígida: um Espírito pode reunir características de várias categorias (Q. 100). Os Espíritos formam "uma série ininterrupta, desde o grau inferior até o grau superior" (Introdução, § XIII).
  • A progressão é sempre ascendente, por meio da Reencarnação. "São os próprios Espíritos que se melhoram e, melhorando-se, passam de uma ordem inferior para uma ordem superior" (Q. 114).
  • O caráter de cada Espírito se revela pela linguagem de suas comunicações.
  • A sutileza do Perispírito reflete o grau de elevação.

Progressão e origem

Todos os Espíritos foram "criados simples e ignorantes" (Q. 115) — nenhum foi criado bom ou mau. A diversidade atual resulta exclusivamente do uso do livre-arbítrio: "Deus não criou Espíritos maus; criou-os simples e ignorantes, isto é, com igual aptidão para o bem e para o mal. Os que são maus, assim se tornaram por sua vontade" (Q. 121).

Os Espíritos não podem degenerar nem retroceder: "Pode permanecer estacionário, mas não retrograda" (Q. 118). Nenhum ficará eternamente nas ordens inferiores: "Todos se tornarão perfeitos (...) um pai justo e misericordioso não pode banir eternamente seus filhos" (Q. 116).

Sobre os anjos, são simplesmente Espíritos que percorreram todos os graus da escala (Q. 128-129). Satanás é "evidentemente a personificação do mal sob forma alegórica" — os demônios são Espíritos imperfeitos em estado transitório, não seres eternamente maus (nota a Q. 131).

Em O Livro dos Médiuns

O Livro dos Médiuns aplica diretamente a escala espírita à prática mediúnica. No Cap. X (§ 133-137), Kardec demonstra que a qualidade das comunicações mediúnicas é reflexo imediato da posição do Espírito comunicante na escala: comunicações grosseiras, frívolas, sérias e instrutivas correspondem, respectivamente, às ordens inferiores, médias e superiores. Este princípio torna-se critério prático de discernimento: "Os Espíritos superiores não têm nenhum outro sinal para serem reconhecidos além da superioridade das suas ideias e da sua linguagem" (§ 268). No Cap. XIV (§ 159-177), a classificação dos médiuns por aptidão é relacionada à aptidão dos Espíritos de cada grau para se manifestar: Espíritos inferiores, com perispírito mais grosseiro, têm mais "força" para efeitos físicos; os mais elevados atuam preferentemente por inspiração e intuição.

Em O Céu e o Inferno

O Céu e o Inferno apresenta a escala em sua dimensão vivida: os Caps. VIII e IX demonstram que anjos e demônios não são categorias ontologicamente distintas, mas simplesmente posições na escala — uns alcançaram a perfeição, outros ainda não. Ninguém foi criado para o bem eterno nem para o mal eterno: "Os anjos são simplesmente Espíritos que percorreram todos os graus da escala" (Cap. VIII). A Segunda Parte da obra fornece cerca de 60 relatos de Espíritos comunicantes que descrevem sua própria situação — felizes, medianos, sofredores, suicidas, endurecidos —, constituindo um vasto mapeamento experimental das diferentes posições na escala e das condições de vida correspondentes a cada grau.

Conceitos relacionados

  • Reencarnação — O mecanismo pelo qual os Espíritos progridem na escala
  • Perispírito — Sua sutileza reflete a posição na escala
  • Lei do Progresso — A lei natural que impulsiona toda a criação rumo à perfeição

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