Eles Voltaram é uma obra psicografada por Francisco Cândido Xavier em colaboração com Hércio Marcos C. Arantes, publicada por volta de 1981. O livro reúne vinte e dois casos de reencontros mediúnicos entre desencarnados e seus familiares, com prefácio de Emmanuel. O subtítulo de fato do livro está no prefácio: "Chorados no plano físico, os comunicantes amigos, que se fazem autores deste volume, regressaram do Mais Além com as notícias da própria sobrevivência."
A estrutura é semelhante à da obra Reencontros (1982): cada caso apresenta um relato narrativo da circunstância do falecimento e como a família chegou ao médium, seguido pela carta psicografada e notas de identificação. Os comunicantes pertencem a diversas regiões do Brasil e diferentes classes sociais.
Estrutura
Vinte e dois capítulos, cada um apresentando um comunicante:
- Cap. I — Evaldo Augusto dos Santos (13 anos, Goiás, 1975) — Menino que adorava cavalos, morreu ao ser arrastado por um animal na fazenda. Em mensagem psicografada, descreve um sonho que tivera semanas antes: uma memória de vida anterior em que ordenou o castigo brutal de um servo, e reconhece na queda do cavalo o acerto dessa dívida.
- Cap. II — "Continuo sendo o seu menino que lhe tem tanto amor" (Evaldo, carta)
- Cap. III — Jovem provou a seus pais que houve separação imaginária
- Cap. IV — Felipe Meneghetti — "O melhor lugar para o nosso reencontro: o bem ao próximo"
- Cap. V — Um casal unido no mundo maior — José Roberto e Beatriz, casal que desencarna junto
- Cap. VI — José Roberto/Beatriz — "A todos, os meus e nossos pensamentos de afetuosa gratidão"
- Cap. VII — Ele escrevia Edvaldo no chão, nas paredes, onde pudesse
- Cap. VIII — Edvaldo Roel da Silva Junior — "Estou de novo numa escola com muitos amigos"
- Cap. IX — No rio Lambari, quatro jovens iniciaram vida nova
- Cap. X — Orlando Sebastião Duarte — "As orações, para mim, funcionam por bálsamos"
- Cap. XI — De volta, dias após o desenlace
- Cap. XII — Auzenita da Silva Duarte — "Nada promovam contra qualquer pessoa"
- Cap. XIII — A vitória espiritual de dedicada esportista
- Cap. XIV — Syumara Bellacosa de Oliveira — "Recebemos de Deus sempre aquilo que se faz o melhor para nós"
- Cap. XV — Após a tempestade de dor, a certeza do reencontro
- Cap. XVI — Nestor Macedo Filho — "Estamos vivos, eis a grande verdade"
- Cap. XVII — A grande viagem de exímio piloto
- Cap. XVIII — Ivan Sergio Athaide Vicente — "Por aqui continuamos seres humanos, com suor e lágrimas"
- Cap. XIX — Filho retorna ao chamado da oração
- Cap. XX — Klecius da Cunha Rodrigues — "Saudade para nós deve ser fé nova em Deus"
- Cap. XXI — Breve regresso de ilustre cientista
- Cap. XXII — Elpídio Amante — "A morte é um transplante da alma"
Ensinamentos principais
A morte como transplante. A frase de Elpídio Amante — "A morte é um transplante da alma" — resume a filosofia da obra. O doutor Elpídio, estudioso do Espiritismo, descreve sua passagem com clareza clínica, referenciando o perispírito como "veículo real, mesmo no tempo da existência física."
Karma consciente e aceitação. O caso de Evaldo Augusto é o mais rico doutrinariamente: o menino de 13 anos descreve em detalhes a vida anterior em que ordenou o castigo brutal de um servo, e reconhece que o acidente com o cavalo foi o ajuste dessa dívida. "A vida se incumbiu de me mostrar que também um animal espantadiço estava à minha espera." Este caso, em paralelo com Augusto César Netto em Jovens no Além, forma uma das evidências mais detalhadas da lei do karma na literatura espírita brasileira.
Orações como bálsamos. Orlando Sebastião Duarte ensina que "as orações, para mim, funcionam por bálsamos" — o pensamento amoroso dos familiares encarnados atua como força real de amparo para o desencarnado em adaptação.
Desencarnação coletiva. O capítulo sobre o casal José Roberto e Beatriz e o capítulo sobre os quatro jovens no rio Lambari tratam de desencarnações simultâneas e o reencontro no plano espiritual.
Auzenita e o perdão. Auzenita da Silva Duarte, morta em circunstâncias violentas, pede à família: "Nada promovam contra qualquer pessoa" — o mesmo padrão de perdão e aceitação que Francisco Quintanilha demonstra em Reencontros.
Contexto
Eles Voltaram forma junto com Reencontros (1982) e Jovens no Além (1975) um conjunto de obras de psicografia consolatória e de identificação de Chico Xavier. Todas documentam reuniões do Grupo Espírita da Prece em Uberaba. O co-autor Hércio Marcos C. Arantes realizou pesquisas detalhadas com cada família, incluindo notas com verificação de nomes, datas e circunstâncias mencionadas pelos comunicantes.
Conceitos relacionados
- Desencarnação — todos os 22 casos documentam a transição para o plano espiritual
- sobrevivência da alma — eixo da obra
- Lei de Causa e Efeito — exemplificado com especial riqueza no caso de Evaldo
- Perispírito — mencionado por Elpídio Amante como veículo real do espírito
- Mediunidade — psicografia de identificação como prova da sobrevivência
- Prece — apresentada como força ativa de amparo aos desencarnados