Livro 1995

Autodescobrimento: Uma Busca Interior

Joanna de Ângelis — 1995

Autodescobrimento: Uma Busca Interior

Visão geral

Psicografado por Divaldo Pereira Franco sob ditado do Espírito Joanna de Ângelis, assinado "Salvador, 30 de novembro de 1994." Sexto volume da Série Psicológica Joanna de Ângelis. Publicado em 1995 pelo Centro Espírita Caminho da Redenção (CECR), Salvador, via Livraria Espírita Alvorada Editora (LEAL). ISBN: 978-85-61879-74-7. 17ª edição em 2013.

O objetivo declarado na introdução é "colocar pontes entre os mecanismos das psicologias humanista e transpessoal com a Doutrina Espírita, que as ilumina e completa." O livro aborda sistematicamente os equipamentos psíquicos do ser humano — pensamento, emoção, inconsciente, subconsciente — e os conteúdos perturbadores que impedem a conquista do Si (Self), propondo uma terapêutica espírita-psicológica integrativa. Jesus é apresentado como o "Psicoterapeuta ímpar" por excelência.

Referências-chave: psicólogos humanistas (Kübler-Ross, Grof, Raymond Moody Jr., Maslow, Viktor Frankl), Jung (inconsciente coletivo, Self, ego), Freud (subconsciente, libido), São Boaventura (três olhos do conhecimento), Mababarata (pândavas vs. kauravas como metáfora da luta ego vs. Self).

Estrutura dos 12 capítulos

Cap. 1 — O Ser Real

Apresenta o homem trino — Espírito, perispírito, matéria — como resolução dos debates entre racionalismo e organicismo. Einstein: o homem é um "conjunto eletrônico regido pela consciência", que lhe preexiste e lhe sobrevive. O Espírito é "agrupamento de energias em diferentes níveis de vibrações."

As energias espirituais quando mal canalizadas produzem congestão (excesso → violência, artrite reumatoide, doenças do aparelho urinário/genésico) ou inibição (contenção → psicoses, neuroses). "As doenças, portanto, resultam do uso inadequado das energias, da inconsciência do ser em relação à vida e à sua finalidade."

O perispírito é o "modelador biológico": "a ação do pensamento sobre o corpo é poderosa, ademais se considerando que este último é o resultado daquele, através das tecelagens intrincadas e delicadas do perispírito." O corpo físico é tecido pelo perispírito na reencarnação.

Interação Espírito-Matéria: emoções fortes (medo, cólera, agressividade, ciúme) → descarga de adrenalina → diabetes, artrite, hipertensão. Repetição do fenômeno → doenças degenerativas. Ódio, inveja, competição → indigestão, hepatites. Ressentimentos crônicos → tumores cancerígenos ("Quando a mente elabora conflitos, ressentimentos, ódios que se prolongam, os dardos reagentes disparados desatrelam as células dos seus automatismos, que degeneram, dando origem a tumores").

Cap. 2 — Equipamentos Existenciais

O pensamento não procede do cérebro: "O pensamento não procede do cérebro. Este tem a função orgânica de registrá-lo e, vestindo-o de palavras, externá-lo." O pensamento é exteriorização da mente, que independe da matéria e se origina no Espírito. Apresenta a escala do pensamento (Prof. Mira y Lopez): primário → pré-mágico → mágico → egocêntrico → lógico → intuitivo. Na visão espírita, o Espírito, por meio de múltiplas reencarnações, evolve o cérebro que usa para se comunicar.

Conflitos e doenças: reencarnações programadas levam em conta afinidades e desajustes entre seres. O perispírito imprime nos genes e cromossomas as anomalias necessárias para a expiação. "Uma das finalidades primaciais da reencarnação é a aquisição do amor (afetividade plena), para o crescimento espiritual e o autoaprimoramento."

Ser emocional: a emoção mal direcionada é fonte de patologia. Cinco estados emocionais: embotada, exaltada, indiferente, apaixonada, estimulada por objetivos enobrecedores — somente o último produz autorrealização.

Cap. 3 — Consciência e Vida

O desabrochar da consciência é "um trabalho lento e contínuo." O sofrimento é o meio natural da evolução: à medida que a sensibilidade cresce, o sofrimento deixa de ser brutal para tornar-se instrumento de sublimação. "O despertar da consciência, saindo da obscuridade, do amálgama do coletivo, para a individuação, é acompanhado pelo sofrimento, qual parto."

Consciência responsável: a responsabilidade que resulta do amadurecimento psicológico concilia o cumprimento das atividades com as circunstâncias, tornando o indivíduo "pessoa-ponte" em vez de obstáculo. O amor é o fator decisivo: acrescenta ao conceito de responsabilidade os contributos do amor.

O amor evolui de fisiológico (posse, paixão) para psicológico (libertação, empatia) para humanitário (altruísmo, donação anônima). O amor como Lei é o antídoto para todo sofrimento — "pode tornar-se um instrumento do próprio amor", como em Jesus e Francisco de Assis, que sofreram sem débitos para ensinar coragem e valor moral.

Cap. 4 — O Inconsciente e a Vida

Distingue três dimensões do inconsciente:

Inconsciente individual/subcortical: automático, instintivo — o id de Freud e os arquétipos de Jung. Na visão espírita, corresponde ao Espírito que "se encarrega do controle da inteligência fisiológica e suas memórias — campo perispiritual —, as áreas dos instintos e das emoções, as faculdades e funções paranormais, abrangendo as mediúnicas."

Inconsciente coletivo junguiano: na visão espírita, é o "registro mnemônico das reencarnações anteriores de cada ser, que se perde na sua própria historiografia" — a Genética descartou a transmissão cromossômica de caracteres adquiridos, portanto este inconsciente coletivo é perispiritual, não genético.

Inconsciente sagrado: o depósito das experiências do Espírito eterno, o Eu superior. Acesso a ele proporciona "conquistar a lucidez sobre as realizações das reencarnações passadas, num painel de valiosa compreensão de causas e efeitos próximos como remotos." Nele se dão as manifestações mediúnicas. Quem o acessa "aproxima-se do estado numinoso. Liberta-se."

Cap. 5 — Viagem Interior

Busca da unidade: o ser humano é centelha divina que saiu da inconsciência e ruma para a Unidade. A dualidade yang (consciência — masculino, racional, positivo) e yin (inconsciência — feminino, introvertido, melancólico) deve harmonizar-se. As polaridades do ser miniaturizam o cosmo. A doença pode ter "função psicológica, sem fator cármico, decorrendo do doloroso processo inevitável da evolução."

Realidade e ilusão: "Na raiz, portanto, de qualquer transtorno neurótico jaz um conflito moral." A identificação dos valores éticos é simples: são saudáveis em todas as culturas e produzem bem-estar; são perniciosos onde quer que produzam danos.

Força criadora: o amor é a força criadora máxima. Evolui em três estágios: (1) instintivo — posse, egoísmo; (2) estágio medial — doação sem exigência; (3) fase superior — paz que não necessita de retribuição, nem se entorpece sob a ingratidão. "O amor é o poder criador mais vigoroso de que se tem notícia no mundo."

Cap. 6 — Equilíbrio e Saúde

Programa de saúde: preservação ético-moral, moderação no corpo, evitar drogas e alimentos pesados, oração e meditação, preservar a paz, irradiar simpatia. "A verdadeira saúde não se restringe apenas à harmonia e ao funcionamento dos órgãos" — abrange serenidade íntima, equilíbrio emocional e aspirações estéticas, artísticas, culturais, religiosas.

Transtornos comportamentais: o perispírito "modela o organismo de que o Espírito tem necessidade, equipando-o com os neurotransmissores cerebrais capazes de refletir os fenômenos-resgate indispensáveis para o equilíbrio." Além das causas endógenas e psicossociais, as influências obsessivas de Espíritos desencarnados em processos de desordem contribuem para quadros psicopatológicos — via sintonia vibratória decorrente de processos de desvario compartilhados em vidas anteriores.

Terapia da esperança: o Self (Si) deve predominar desperto no indivíduo. Quem adota comportamento autêntico, sem o jogo de personalidades, "Toma Jesus como o seu Psicoterapeuta ideal e deixa que brilhe a luz nele escondida, com o que se torna livre e sadio."

Cap. 7 — O Ser Subconsciente

O cérebro como computador: "O Self prepondera no conjunto, quando lúcido e desperto, fixando nas telas do subconsciente, viciado pelas reencarnações infelizes, as aspirações superiores."

Reciclagem do subconsciente: periodicamente é necessário fazer "uma limpeza" do material perturbador arquivado — retirar o entulho psíquico, substituindo por novos elementos positivos mediante autossugestão, visualização e prece.

Subconsciente e sonhos: os sonhos revelam o material do subconsciente. "O Eu superior, o Espírito, em se deslocando do corpo, realiza viagens e mantém contatos com outros, cujas impressões são registradas pelo cérebro e se reapresentam benéficas, gratificantes, no campo onírico." É possível programar os sonhos — e assim reprogramar o subconsciente — mediante fixação de ideias saudáveis antes do dormir, seguida de oração.

Cap. 8 — Sicários da Alma

Os três sicários da alma que impedem o autodescobrimento: o passado (consciência de culpa), a incerteza do futuro (ansiedade antecipatória), o desconhecimento de si mesmo (ignorância das próprias potencialidades).

O autoperdão: "O autoperdão é uma necessidade para luarizar a culpa, o que não implica em acreditar haver agido corretamente, ou justificar a ação infeliz. Significa dar-se oportunidade de crescimento interior."

Sobre o futuro — Jesus (Mateus 6:34): "Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo." O futuro é feito das ações de hoje: "Vivendo bem cada momento, em profundidade, o futuro torna-se natural, acolhedor."

Cap. 9 — Viciações Mentais

Insatisfação: decorre da ignorância do Eu profundo. A reprogramação mental — autoimagem correta, sem autodepreciação — dissolve a insatisfação.

Indiferença: estado apático que isola o indivíduo do mundo objetivo — "Ninguém se pode manter em indiferença no inevitável processo da evolução." Antídoto: dar-se ao próximo, descobrindo-se a si mesmo no outro.

Pânico: tem duas etiologias: (1) fisiológica — disfunção de noradrenalina no SNC, com predomínio no sexo feminino em período pré-catamenial; (2) paranormal — "psicopatologia mediúnica" — obsessor estabelece intercâmbio parasitário, transmitindo telepaticamente imagens aterrorizantes que encontram ressonância nas memórias reencarnatórias arquivadas, até que ocorre a incorporação e o controle da vítima. Terapia: transformação moral do paciente, desobsessão, meditação e oração.

Medo da morte: vício mental que se dissolve com a compreensão da imortalidade. "A mente, desatrelada do cérebro, prossegue independente dele, e a vida estua."

Cap. 10 — Conteúdos Perturbadores

Cinco conteúdos perturbadores tratados com acuidade psicossomática:

Raiva: descarga de adrenalina. Raiva não extravasada → ressentimento → tumores. Antídotos: racionalização da ofensa ("o ofensor é alguém que está de mal consigo mesmo ou enfermo"), prece de compaixão pelo ofensor, expressão emocional saudável. "Respeitar-se e amar-se são, por fim, os melhores recursos para enfrentar a raiva."

Ressentimento: "projeção inconsciente da sombra psicológica dos conflitos de cada qual." Descargas vibratórias do ressentimento desatrelam a mitose celular, surgindo neoplasias.

Lamentação: vício de transferir responsabilidade para os outros. Antídoto: "esforço pessoal, que é intransferível, caracterizado pelo real desejo do equilíbrio."

Perda pela morte: a morte não é perda mas transferência de faixa vibratória. Os desencarnados comunicam-se e aguardam o reencontro. O desespero ante a morte de pessoa querida revela cargas de emoções desequilibradas com caráter autopunitivo.

Amargura: pode ter raiz em reminiscências inconscientes de reencarnações passadas, ou em traumas da infância atual. Antídotos: caminhadas em bosques ou à beira-mar, obras de ajuda social, programas de autoestima.

Cap. 11 — Os Sentimentos: Amigos ou Adversários?

Amor: o mais importante sentimento — rompe o presídio dos instintos. Evolui de desejo de posse (instintivo), para psicológico (empatia, doação), para humanitário (altruísta, cósmico). Quando gera ciúme, azedume, insegurança, ainda se encontra no primarismo dos instintos. "Quando alcança a plenitude, irradia-se em forma cocriadora; em intercâmbio com as energias divinas."

Sofrimentos: os físicos são aliviados por endorfinas geradas pela ação mental. Os morais exigem forte compleição espiritual. Jesus "sofreu, não por desejo próprio, mas para ensinar superação das dores" — sua mensagem é "um hino de louvor à vida, à saúde, ao amor."

Estar e ser: o estar é transitório; o ser é permanente. "O que se está, deixa-se, passa; o que se é, permanece." Quem se identifica com o que está (com a aparência, a doença, o estado emocional passageiro) perde a perspectiva do ser imortal.

Abnegação e humildade: conquistas psicológicas do amadurecimento. A humildade autêntica é "ativa, combatente, decidida, sendo mais um estado interior do que uma apresentação externa." A abnegação "nunca é triste, porque é terapêutica."

Cap. 12 — Triunfo Sobre o Ego

Infância psicológica (criança ferida): o desenvolvimento intelectual não é sempre acompanhado pelo emocional. A criança insegura permanece no subconsciente do adulto, impelindo a comportamentos ambivalentes. O processo de cura: "enfrentando com amor a própria infância não superada, a fim de diluir as fixações."

Conquista do Si: Kardec questionou os mensageiros: "O que fica sendo o Espírito depois de sua última reencarnação?" — Resposta: "Espírito bem-aventurado; puro Espírito." O Si profundo pleno é "semelhante à transparência que o diamante alcança após toda a depuração transformadora." A luta ego vs. Si é como os pândavas vs. kauravas no Mababarata: as virtudes (poucas) trionfam sobre os vícios (muitos) após sucessivas pelejas. Raga (paixões, no conceito budista) são os vínculos a se cortar para a libertação.

Libertação pessoal: São Boaventura — três olhos do conhecimento: olho da carne (mundo material), olho da razão (lógica e filosofia), olho da contemplação (intuição, realidades transcendentes). A Codificação Espírita corresponde perfeitamente: "a carne entra em contato com o mundo físico, o perispírito registra o mundo mental, extrassensorial, e o Espírito sintoniza e se alimenta com a estrutura da realidade causal." A Doutrina Espírita "sintetiza ambas as visões psicológicas, interpretando os enigmas do ser e capacitando-o à superação do ego, na gloriosa conquista do Eu profundo."

Conclusão: "Nasce então, nesse momento, o homem pleno, que ruma para o Infinito, imagem e semelhança de Deus."

Argumento central

Autodescobrimento: Uma Busca Interior é um manual de psicologia espírita aplicada. A tese central: o autoconhecimento é condição necessária para a saúde integral e para a evolução espiritual — e o Espiritismo, ao oferecer a chave da imortalidade e da reencarnação, ilumina e completa o projeto das psicologias humanista e transpessoal.

O livro percorre sistematicamente os mecanismos pelos quais o ser humano se fragmenta (energias mal canalizadas, conteúdos perturbadores, viciações mentais) e os recursos para a reintegração (autoconhecimento, autossugestão, oração, meditação, serviço ao próximo). A saúde é definida em termos perispiríticos — o perispírito como modelador biológico — e a doença em termos energéticos e cármicos. Jesus como Psicoterapeuta Ideal é o padrão de saúde plena.

Conceitos relacionados

  • Joanna de Ângelis — espírito autora
  • Divaldo Pereira Franco — médium
  • Perispírito — modelador biológico; responsável pelas impressões genéticas kármicas; media a interação Espírito-corpo
  • Saúde Mental Espírita — caps. 1, 6, 9: doenças como distonia do Espírito; pânico mediúnico; programa de saúde integral
  • Individuação — caps. 4, 12: ego vs. Si; inconsciente sagrado; conquista do Si; libertação pessoal
  • Reencarnação — caps. 1, 2, 3, 7, 12: perispírito modela o corpo na reencarnação; conflitos e kárma como decorrências; inconsciente coletivo como memória reencarnacionária
  • Obsessão — caps. 6, 9: influências obsessivas em transtornos comportamentais; pânico mediúnico; abertura por sintonia vibratória
  • Mediunidade — cap. 4: manifestações mediúnicas no inconsciente sagrado; projeção espiritual nos sonhos
  • Imortalidade da Alma — caps. 8, 9, 12: morte como transferência de faixa vibratória; libertação pessoal como antecipação da vida imortal
  • Natureza de Jesus — caps. 3, 6, 8, 11, 12: Jesus como Psicoterapeuta Ideal; seu sofrimento como ensino de superação, não autopunição

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