Revisão do Cristianismo
Obra filosófica de J. Herculano Pires que propõe a revisão do Cristianismo à luz da razão, da crítica histórica e do Espiritismo. A tese central: "Há um abismo entre o Cristo e o Cristianismo, tão grande quanto o abismo existente entre Jesus de Nazaré, filho de José e Maria, nascido em Nazaré, na Galiléia, e Jesus Cristo, nascido da Constelação da Virgem, na Cidade do Rei Davi" (p. 6). Renan e Kardec são apresentados como os dois iniciadores dessa revisão.
Estrutura (13 capítulos)
A Descoberta do Cristo (pp. 8-10): Jesus histórico vs. Cristo mitológico. O jovem nazareno de família pobre que pregava amor e fraternidade foi gradualmente transformado no mito do Messias. As lendas (nascimento em Belém, matança dos inocentes, Pantera) como construções socioculturais da época.
A Mitologia Cristã (pp. 10-14): Teoria do mito como arquétipo e "lei de fusão" — a ideia interna de Deus projetada sobre objetos e pessoas do mundo real. "Kardec foi o primeiro a ter a coragem de submeter o Evangelho às divisões necessárias, para separar do texto o ensino moral de Jesus" — dividindo em cinco partes (ensino moral, histórico, mitológico, doutrinário, profético).
A Herança Mágica (pp. 14-18): A absorção de rituais mágicos pagãos pelo Cristianismo.
A Revelação (pp. 18-22): Os três tempos da revelação: Moisés, Jesus, Espiritismo.
O Culto Cristão (pp. 22-25): Origens pagãs do culto — a Igreja absorveu a estrutura do Templo de Jerusalém, os sacramentos pagãos, as vestes sacerdotais, converteu imagens de deuses em santos.
O Olimpo Cristão (pp. 25-29): Santos como deuses do politeísmo cristão.
Cristo e o Mundo (pp. 29-34): A relação entre o ensino de Jesus e as realidades do mundo.
A Desfiguração do Cristo (pp. 34-38): Como a teologia desfigurou Jesus, de reformador moral a segunda pessoa da Trindade.
Os Mandatários de Deus (pp. 38-41): O clero como suposto intermediário entre Deus e o homem.
A Existência de Jesus (pp. 41-46): A historicidade de Jesus — Guignebert, Renan, documentos extra-bíblicos.
A Razão do Mito (pp. 46-49): Por que os mitos eram necessários naquela fase evolutiva.
O Mito da Razão (pp. 49-54): O racionalismo como novo mito da modernidade.
Matéria, Mito e Antimatéria (pp. 54+): A revolução científica (antimatéria, parapsicologia) como abertura para a revisão espírita do Cristianismo.
Passagens Notáveis
"Há um abismo entre o Cristo e o Cristianismo, tão grande quanto o abismo existente entre Jesus de Nazaré, filho de José e Maria, nascido em Nazaré, na Galiléia, e Jesus Cristo, nascido da Constelação da Virgem." (p. 6)
"Gandi exclamou, ao ler os Evangelhos: 'Como pôde uma árvore como esta dar os frutos que conhecemos?'" (p. 6)
"Kardec foi o primeiro a ter a coragem de submeter o Evangelho às divisões necessárias, para separar do texto o ensino moral de Jesus." (p. 10)
Referências Cruzadas
- Cristianismo e Espiritismo — Léon Denis: abordagem complementar (mais histórica/filosófica, menos polêmica)
- O Evangelho Segundo o Espiritismo — A obra de Kardec que Pires defende como a separação do moral e do mitológico
- Natureza de Jesus — Jesus como espírito superior encarnado, não como Deus encarnado