Livro 1959

O Esperanto Como Revelação

Francisco Valdomiro Lorenz — 1959

O Esperanto Como Revelação

Resumo

Mensagem psicografada por Chico Xavier em 19 de janeiro de 1959, em Uberaba, ditada pelo Espírito Francisco Valdomiro Lorenz — linguista, esperantista e médium que em vida traduziu poemas espíritas ao Esperanto (incluindo versões de Cruz e Souza em Vodoj de poetoj el la Spirita Mondo, publicadas no mesmo período de Parnaso de Além-Túmulo). O texto é um opúsculo de 12 páginas, dividido em dez capítulos breves, que defende o Esperanto como instrumento de progresso espiritual e material, criado primeiro no plano espiritual e depois trazido à Terra por reencarnação.

A tese central é que a barreira linguística constitui um dos maiores obstáculos ao progresso da humanidade — tanto entre encarnados quanto entre desencarnados — e que o Esperanto foi concebido no mundo espiritual por Lázaro Luís Zamenhof, antes de este reencarnar em 1859 na Polônia para reconstruir o idioma entre os homens. A obra situa a criação do Esperanto como parte do mesmo programa providencial que trouxe a Codificação Espírita de Kardec ao século XIX.

Estrutura

  1. Além da Morte (Cap. I) — O despertar do Espírito desencarnado e o anseio de conhecer a Terra em toda a sua diversidade cultural
  2. Problema da Linguagem na Espiritualidade (Cap. II) — A barreira linguística no plano espiritual imediato à Terra
  3. Disparidade de Linguagens e Separação dos Espíritos (Cap. III) — Como a diversidade idiomática separa povos encarnados e desencarnados
  4. Necessidade de uma Língua Internacional (Cap. IV) — A urgência de um sistema de comunhão que liberte os espíritos das "algemas lingüísticas"
  5. Criação do Esperanto entre os Espíritos (Cap. V) — Zamenhof concebe o Esperanto no plano espiritual em quase meio século de trabalho
  6. Criação do Esperanto entre os Homens (Cap. VI) — Zamenhof reencarna em 1859 e reconstrói o idioma na Terra
  7. Contribuição Mediúnica na Difusão do Esperanto (Cap. VII) — Espíritos desencarnados recomendam o estudo do Esperanto através de canais mediúnicos
  8. Exigências da Solidariedade (Cap. VIII) — A necessidade de comunicação universal para o ser desencarnado
  9. Idioma Internacional e Religião Universal (Cap. IX) — Esperanto e Cristianismo restaurado como colunas gêmeas do mundo unido
  10. Em Saudação (Cap. X) — Poema em homenagem ao centenário de Zamenhof

Ensinos principais

A barreira linguística no mundo espiritual

O texto estabelece que o problema da língua não se resolve automaticamente com a desencarnação. Lorenz explica que em esferas mais elevadas prevalece o "idioma simbólico", onde "a música diviniza a frase e a pintura acrisola a imagem" (Cap. II). Porém, nas regiões próximas à Terra — onde estão "milhões" de Espíritos em processo de renovação — a barreira linguística persiste como obstáculo concreto:

"Ainda aqui, aos milhões, não obstante se nos descerrem horizontes renovadores, achamo-nos separados pela barreira lingüística." (Cap. II)

Espíritos mais credenciados reencarnam em países específicos para contribuir com aquela cultura, "gastando decênios" para oferecer aperfeiçoamento, o que representa um enorme desperdício de tempo e potencial.

Zamenhof: missão espiritual e reencarnação

A revelação mais singular do opúsculo é que o Esperanto foi criado primeiro no plano espiritual. Zamenhof, ali identificado como "o gênio da confraternização humana" e "grande missionário da Luz, consagrado à concórdia" (Cap. V), dedicou "quase meio século de trabalho" no mundo espiritual, assessorado por "equipes de colaboradores", conjugando "as mais conhecidas raízes idiomáticas de vários povos" para concretizar o idioma internacional.

Com a obra pronta no plano espiritual e acadêmicas respectivas já instituídas, decide-se a reencarnação de Zamenhof. Lorenz sincroniza os dois eventos-chave do século XIX:

"Allan Kardec, na missão de Codificador do Espiritismo, desvenda novos continentes de luz ao espírito humano, operando a revivescência do Cristianismo, e, tão logo se lhe derramam na Terra as claridades do primeiro livro revelador, em 1857, decide-se a reencarnação do grande mensageiro da fraternidade. Corporifica-se Zamenhof, em 1859, num lar da Polônia." (Cap. VI)

Zamenhof nasce no Império Moscovita, "cujos povos congregados falavam e escreviam em quase duzentas línguas diversas" — ambiente providencialmente adequado para sentir a urgência da unificação linguística.

Esperanto como ato de caridade

O capítulo VII contém a formulação mais direta da dimensão espiritual do Esperanto:

"Facilitar o entendimento é ato de caridade, e construir o futuro é serviço de confiança." (Cap. VII)

O Esperanto é apresentado não como disciplina religiosa, mas como "fascinante chave de percepção, descortinando filões inesgotáveis de cultura superior". Aprender, ensinar, praticar e divulgar o Esperanto é "contribuir para a edificação do Mundo Unido".

O programa renovador do século XIX

O texto insere o Esperanto num amplo panorama de inovações providenciais do século XIX: o barco de Fulton, a locomotiva de Stephenson, o telégrafo de Morse, o aparelho de Bell, as fotografias dos irmãos Lumière, a linotipo de Mergenthaler e as ondas de Hertz. Essas invenções "prenunciam o submarino e o transatlântico, o automóvel moderno e o avião, o cinema e a grande imprensa, o telefone, a radiofonia e a televisão" (Cap. VI). As profecias de Maxwell "desbravam caminhos para as ciências atômicas". Tudo isso constitui o cenário em que Kardec e Zamenhof recebem suas missões.

Esperanto e religião universal

No capítulo IX, Lorenz convoca "espiritualistas e espíritas, encarnados e desencarnados" a incrementar o Esperanto "em simultaneidade com o esforço de restaurar as colunas do Cristianismo, por santuário vivo da Religião Universal". A perspectiva é de confraternização interreligiosa: o esperantista pode estar "em sintonia com os nossos irmãos católicos, reformistas, ortodoxos, bramanistas, budistas, israelitas, sintoístas, maometanos, zoroastristas, ateus e de quaisquer outras confissões".

A conclusão encerra com uma nota de fé e serviço: "Esperanto quer dizer 'o que espera'. Marchando e servindo, crendo e amando, imperturbáveis, esperaremos."

Poema a Zamenhof (Cap. X)

O texto encerra com uma saudação poética ao centenário do nascimento de Zamenhof (1859-1959), em que Lorenz reconhece que após o Esperanto, "guerras encarniçadas açoitaram de novo as nações divididas", mas que "a estrela que acendeste em verde resplendente anuncia a união".

Contexto histórico

A mensagem foi psicografada em 19 de janeiro de 1959 — ano do centenário de nascimento de L. L. Zamenhof (1859). O autor espiritual, Francisco Valdomiro Lorenz (1872-1957), foi um poliglota tcheco radicado no Brasil, ativo esperantista e médium, que traduziu obras espíritas para o Esperanto. Em Parnaso de Além-Túmulo, Lorenz aparece como o médium que recebeu traduções ao Esperanto de poemas de Cruz e Souza — conexão que confirma o vínculo pessoal do autor espiritual tanto com o Esperanto quanto com a Psicografia espírita.

Conexões com outras obras

  • Parnaso de Além-Túmulo — Lorenz aparece como médium que recebeu traduções ao Esperanto de Cruz e Souza
  • A Caminho da Luz — Emmanuel também descreve o programa providencial do século XIX (invenções, Kardec, renovação espiritual), oferecendo o panorama cósmico que Lorenz aborda sob o ângulo linguístico
  • O Evangelho Segundo o Espiritismo — A ideia de que o Espiritismo é a restauração do Cristianismo como religião universal conecta-se diretamente à proposta de Lorenz

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