Livro 1961

O Espírito da Verdade

Espíritos Diversos — 1961

O Espírito da Verdade

Resumo

O Espírito da Verdade (1961) é o terceiro volume da série em que Emmanuel coordena comentários à Codificação Kardequiana. Este volume comenta O Evangelho Segundo o Espiritismo, mas com uma diferença importante: não é obra de Emmanuel sozinho. São 104 capítulos ditados por diversos espíritos — André Luiz assina 38, Emmanuel 20, Meimei 17, Hilário Silva 8, Cairbar Schutel 4, Eurípedes Barsanulfo 4, e vários outros. Chico Xavier psicografou os capítulos ímpares e Waldo Vieira os pares.

A série completa:
1. Religião dos EspíritosO Livro dos Espíritos
2. Seara dos MédiunsO Livro dos Médiuns
3. O Espírito da VerdadeO Evangelho Segundo o Espiritismo
4. Justiça DivinaO Céu e o Inferno

Estrutura

Cada capítulo referencia um capítulo e item específico de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Os capítulos mais comentados: Cap. XIII (Caridade, 10 capítulos), Cap. V (Provas e Expiações, 7), Cap. IX (Bem-aventurados os brandos, 6), Cap. XXV (Prece, 6).

Temas principais

Caridade como movimento (tema dominante)

A caridade é o tema avassalador do livro. André Luiz sintetiza: "Espiritismo é caridade em movimento." (Cap. 2) Bezerra de Menezes reafirma a legenda kardeciana: "Fora da caridade não há salvação." (Cap. 3)

O Cap. 91 (José Horta) oferece uma litania onde tudo é caridade: "O roteiro é caridade. O sentimento é caridade. A ideia é caridade. O passo é caridade..." E Meimei: "Temos o que damos." (Cap. 93)

O Cap. 57 (André Luiz) traz a matemática concreta: renuncie 1 em 5 idas ao cinema, 1 em 5 pacotes de cigarros, redirecione a economia para hospitais, creches, abrigos.

Fé como dever racional (Cap. 29 — Emmanuel)

"Em Doutrina Espírita, fé representa dever de raciocinar com responsabilidade de viver." A fé não é confiança passiva — é ação racional sustentada pelo burilamento diário.

Perdão como necessidade vital (Caps. 6, 47, 77)

O Cap. 6 (Hilário Silva) narra a história de D. Clélia Rocha, apedrejada por um jovem que ela depois curou de meningite. Ao pedir perdão, ela respondeu apenas: "Deus te abençoe, meu filho."

Meimei sintetiza: "Toda criatura necessita de perdão, como precisa de ar, porquanto o amor é o sustento da vida." (Cap. 77) E André Luiz: "Deus é Equidade Soberana, não castiga nem perdoa, mas o ser consciente profere para si mesmo as sentenças de absolvição ou culpa." (Cap. 82)

A oração é ponte (Cap. 13 — André Luiz)

"Entre Deus e você, o próximo é a ponte. O Criador atende as criaturas, através das criaturas. É por isso que a oração é você, mas o seu merecimento está nos outros."

Jesus como supremo médium de Deus (Cap. 67 — Eurípedes Barsanulfo)

O capítulo mais original do livro. Eurípedes Barsanulfo cataloga as faculdades mediúnicas de Jesus: clariaudiência e clarividência (Anunciação, Isabel, José, Zacarias), efeitos físicos (Caná), passes curativos, levitação (caminhando sobre as águas), desobsessão, materialização (Transfiguração no Tabor), culminando em Pentecostes. "Jesus deve ser considerado, por todos nós, como sendo o excelso médium de Deus."

Glossário espírita de termos teológicos (Cap. 8 — André Luiz)

Redefinição sistemática: Espírito Santo = falange dos Emissários da Providência; Reino de Deus = estado de sublimação da alma criado por ela própria através de reencarnações; Milagre = fatos naturais cujo mecanismo é familiar à Lei Divina mas defeso ao entendimento fragmentário da criatura; Dia de Juízo = oportunidade entre dois períodos de existência da alma.

Bondade como alimento (Cap. 15 — Hilário Silva)

"Bondade é pão invisível. Gentileza é água pura. Otimismo é reconstituinte. Consolação é analgésico. Perdão é cirurgia reajustante. Queixa é vinagre. Censura é pimenta. Crueldade é veneno."

Passagens-chave

"Espiritismo é caridade em movimento." — Cap. 2, André Luiz

"A estrada real para Deus chama-se Caridade." — Cap. 91, José Horta

"Só vive realmente quem ama. Só ama efetivamente quem age para o bem de todos." — Cap. 78, André Luiz

"Ninguém cura um louco, zurzindo-lhe o crânio." — Cap. 39, Emmanuel

"Faça que a caridade em nossa existência não seja vaidade que dilacere os outros e para que a humildade em nossos dias não seja orgulho rastejante." — Cap. 104, Emmanuel

"As portas dos cemitérios jamais se fecham; contudo, as portas da reencarnação só se abrem com a senha do mérito haurido nas edificações incessantes da caridade." — Cap. 48, Lins de Vasconcellos

Vozes do livro

Espírito Capítulos Estilo
André Luiz 38 Analítico, prático, analogias modernas
Emmanuel 20 Doutrinário, histórico, alegórico
Meimei 17 Lírico, foco em crianças e mães, compaixão
Hilário Silva 8 Narrativo, historietas com lição moral
Cairbar Schutel 4 Evangélico, solidariedade
Eurípedes Barsanulfo 4 Pedagógico, mediunidade de Jesus

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