Desperte e Seja Feliz
Visão geral
Obra psicografada por Divaldo Pereira Franco sob ditado do Espírito Joanna de Ângelis, assinada em Salvador, 14 de fevereiro de 1996. Publicada pelo Centro Espírita Caminho da Redenção (CECR), Salvador, Bahia. ISBN: 978-85-61879-90-7. Volume 7 da Série Psicológica de Joanna de Ângelis, distribuída pela Editora LEAL.
É o volume mais devocional e praticamente orientado da Série Psicológica. Enquanto o volume anterior (Autodescobrimento: Uma Busca Interior, vol. 6) articula sistematicamente a psicologia junguiana com o Espiritismo, Desperte e Seja Feliz tem estrutura de meditações espirituais: 30 capítulos curtos, cada um endereçando um desafio concreto da vida moral cotidiana — litígios, provocações, incompreensões, tentações, ressentimentos, depressão, medo da morte.
O fio condutor é Jesus como modelo e referência constante: cada meditação recorre a algum episódio do Evangelho ou ao exemplo de Jesus para orientar a conduta prática. O livro convida à reforma íntima não como projeto psicológico abstrato, mas como tarefa urgente, porque "esses dias chegaram" — os tempos proféticos de transformação planetária anunciados pelo Evangelho.
Estrutura — 30 capítulos
1. O Homem Jesus
Jesus transcende as categorias psicanalíticas de Freud e as arquetípicas de Jung: nEle, anima e animus encontram síntese plena; razão e intuição se integram sem conflito. É "Construtor do Planeta" — Espírito Excelso que tomou forma humana para modelar a civilização pelo amor. O capítulo propõe Jesus não como dogma religioso, mas como paradigma psicológico alcançável: "Eu sou o pão da vida / a porta / o caminho / o bom pastor."
2. Litígios
O litígio é herança do primitivismo animal — satisfação do ego pelo confronto. Kardec nunca polemizou: quando atacado, respondia com linguagem elevada, discutia ideias e não pessoas, e deixava o tempo fazer sua obra. Jesus tratava os litigantes com compaixão sem condescendência. O capítulo orienta a não engajar conflitos desnecessários e a preservar a energia para o bem essencial.
3. Provocações
O silêncio é a melhor resposta ao provocador. A resposta ao nível da provocação alimenta o ego do agressor e degrada ambos. Kardec respondeu às provocações com argumentos iluminados, sem descida ao terreno pessoal. O tempo é o grande medicamento: o que hoje parece urgente se dissolve com a passagem das horas.
4. As Incompreensões
A incompreensão tem três raízes: inveja, competição malsã e malícia. Todos os grandes promotores do Bem foram incompreendidos — esse é o preço do trabalho pioneiro. O exemplo de humildade e de perseverança torna-se chamado silencioso à renovação. Nunca se agradará aos exigentes, irresponsáveis e ignorantes: agrade-se à própria consciência do bem e siga adiante sem olhar para trás.
5. Enfrentando Tentações
As tentações são pedras da estrada e espinhos nas carnes do coração — mas também "estímulos à vitória, à transformação íntima para melhor." Elas aparecem em toda forma: irritação, revide, tormentos sexuais, ambição desmedida. Mesmo Jesus foi tentado — ensinando que se a tentação é fenômeno humano, "a resistência contra o mal é conquista divina." A reencarnação é dádiva de Deus para o processo evolutivo; ao mergulhar no corpo, as memórias dos compromissos assumidos se apagam — por isso aparecem as reclamações injustificáveis.
6. Reclamações Indevidas
Antes de encarnar, a alma — com consciência lúcida no plano espiritual — reconhecia suas deficiências e suplicava aos benfeitores do destino as oportunidades de crescimento: a aflição, a enfermidade periódica, os testemunhos morais frequentes. Os mentores espirituais alertavam que não haveria resistência, mas o Espírito afirmava que suportaria "a cruz com sorrisos e a calúnia com perdão." Portanto, reclamar é contradizer o próprio compromisso assumido. "Reclamação é perda de tempo."
7. Três Inimigos
Os três inimigos cruéis da paz interior são a depressão, o ressentimento e a exaltação:
- Depressão — noite inopinada em pleno dia; tóxico que envenena lentamente as mais belas florações do ser. Remédio: a vacina da coragem pela prece.
- Ressentimento — mofo que faz apodrecer o sustentáculo onde se apoia. Remédio: raciocínio lúcido mediante o amor que não espera nada.
- Exaltação — faísca de eletricidade devoradora que produz relâmpagos de loucura. Remédio: o refrigério da meditação.
No contexto de uma sociedade onde o vício adquire cidadania e a crueldade recebe aplausos, esses três inimigos sutis deixam vapores tóxicos que infectam os que trabalham pelo Bem. A vigilância é indispensável.
8. Diante da Luta
A luta é bênção — "lei do progresso" — sem ela a vida periclita. Mas há luta de dois tipos: pelos valores transitórios (que a morte destrói) e pela aquisição de valores imperecíveis. Distinguir qual tipo de luta vale o empenho é crucial. "Luta em paz, alegremente, sabendo que os bons Espíritos estarão lutando ao teu lado em nome do Lutador Incessante, Jesus."
9. Arrependimento e Reparação
O arrependimento sincero é conquista elevada do sentimento humano — amadurecimento da razão após análise do erro. Mas por si só não basta: a reparação é indispensável. Quatro exemplos neotestamentários contrastados:
- Pedro — negou três vezes, arrependeu-se, entregou a existência ao Mestre.
- Maria Madalena — renovada pelo arrependimento, tornou-se exemplo de amor.
- Zaqueu — cobrador que explorava; após contato com Jesus, tornou-se exemplo de abnegação.
- Judas — arrependeu-se, mas sem estrutura moral suficiente, enlouqueceu e se suicidou.
"O arrependimento é luz na consciência. A reparação é a consciência do dever em ação."
10. Fé e Vida
A fé é a alma da vida e de todas as virtudes. Sem ela, o ser é "embarcação sem bússola, flutuando a esmo." A fé deve ser raciocinada — fortalecida pelo combustível da razão — para não ser vulnerável à dúvida. Exemplos históricos de fé em ação: Semmelweis (descobriu a assepsia contra a soberba da tradição), Edison (~1000 invenções pela perseverança), Colombo ("apoiado na fé que as reminiscências do passado lhe mantinham vivas" — fé como memória reencarnacionária), Kardec ("alicerçado na fé raciocinada, inquiriu os imortais com persistência").
11. Vida Social
A vida social é condição indispensável à evolução: "ninguém consegue a realização espiritual seguindo a sós." O isolamento distorce a realidade e embrutece. A convivência trabalha os sentimentos, estimula as aptidões para a Arte, a Cultura, a Ciência e a Religião. À medida que o ser se autodescobre, mais percebe a necessidade dos relacionamentos. Jesus nunca se insulou — conforme a circunstância, manteve o relacionamento social com todos que se acercavam.
12. Advertência de Amor
Capítulo escatológico: "Vivemos hoje esses dias prometidos" — as horas graves de transformação dos homens e de mudança vibratória do Planeta, que Jesus previamente anunciou. O martirológio prossegue atual, o circo aumentou de dimensões, mas os testemunhos à verdade são os mesmos. "Clareados pela razão da fé espírita, tenhamos a lucidez do discernimento." Exemplos de equanimidade em tempos de perseguição: Joana de Cusa, Jan Huss, Joanna d'Arc, Giordano Bruno — todos mantiveram harmonia diante do martírio.
13. Edificações Duradouras
Criar atividades novas abandonando as antigas é "passatempo a soldo do desequilíbrio." A perseverança nas obras do Bem é mais difícil do que o entusiasmo dos começos. Jesus cita, em Lucas 14:30, o homem que começou a edificar e não pôde terminar — como exemplo do que não se deve ser. O homem de bem é discreto, silencia suas ações benéficas, não abandona o campo onde semeia.
14. Comportamento
O comportamento exterioriza o mundo mental — aspirações, conflitos, necessidades. Quando o ser estagia em faixas primárias, suas paixões são brutais e egoísticas. À medida que educação e experiência o trabalham, suas aptidões para o crescimento interior despertam.
O capítulo aprofunda a medicina espiritual do comportamento: a mente envia ondas que visitam as células orgânicas, agredindo-as ou conciliando-as. O cérebro é "valiosa glândula" que secreta endorfinas (atenuando dores), encefalinas e diversas enzimas. Pessoas irascíveis, pessimistas, com constantes mudanças de humor "produzem as enzimas perniciosas, que irão abrir campo para a invasão orgânica dos elementos microbianos destrutivos." Inversamente, disposições otimistas e afetuosas "estimulam o sistema psiconeuroimunológico, tornando-se resistentes às baciloses degenerativas."
O Espírito conduz o corpo através de "vibrações delicadas que sustentam as células, mantendo-as em ritmo harmônico, ou desgastante, conforme as ondas mentais que irradia."
15. Sucesso e "Sucesso"
Dois tipos de sucesso radicalmente diferentes:
- Sucesso interior — vitória sobre si mesmo e as paixões primitivas. Discreto, invisível ao mundo, produz gentileza, docilidade, irradiação de bondade.
- Sucesso exterior — triunfo nos negócios, profissões, posições sociais. Ruidoso, impõe preocupação para manter o status, atrai inveja, exige mecanismos de exaltação.
Exemplos contrastados: Júlio César (triunfou, foi assassinado por Brutus), Nero e Hitler (sucesso efêmero, mortes ignóbeis) vs. Gandhi (enfrentou a morte pronunciando o nome de Deus), Pasteur (aceitou a tuberculose com serenidade). Jesus: aparentemente vencido na Cruz, permanece "símbolo e modelo de vitória sobre si mesmo" até hoje.
16. Luta pela Conquista da Paz
A paz exige refregas iniciais e semeadura árdua, "às vezes entre espinhos." O capítulo diagnostica o indivíduo que deseja a paz mas se recusa à ação edificante: as tentativas são ensaios sem continuidade, fugas ao dever. Jesus prossegue semeando através de Espíritos superiores, encarnados e desencarnados. A oportunidade é agora — "antes que sejas visitado pelo anjo da amargura."
17. Técnicas de Reabilitação
Catálogo de tribulações e sua reinterpretação espiritual:
- Enfermidade — recurso educativo para reflexões sobre a existência.
- Incompreensão — forma de recuperação moral de delitos que aguardavam reparação.
- Calúnia — convocação ao testemunho do silêncio e confiança em Deus.
- Morte de ente querido — mensagem da vida, valorizando a oportunidade existencial.
- Abandono por amigos — chamado a labores mais elevados que exigem solidão interior.
- Presenças espirituais negativas — recurso superior concitando à conduta mental correta.
As dores têm três tipos: dor-elevação, dor-conquista, dor-resgate. Nenhuma tem caráter punitivo — são "técnicas de educação de que se utiliza o Pai Amoroso." Júbilos, facilidades e saúde são "concessões espirituais de que os seus possuidores terão que prestar contas conforme o uso que deles façam."
18. Autorrealização
A pedagogia do Evangelho: amar + perdoar + servir. Não há como sofismar essas três propostas nem encontrar escusa para negá-las. Fugir do mundo é ato de desamor; negar é dificultar o perdão; detestar é recusa ao serviço. O amor, o perdão e o serviço "trabalham o indivíduo, auxiliando-o a aprimorar-se, a realizar-se." Maria Madalena como exemplo: doou-se ao serviço da Boa Nova com tal devotamento que o Senhor a elegeu para anunciar a Ressurreição.
19. Esquecimento Providencial
"Perdoar não me é difícil; no entanto, esquecer é-me quase impossível." — O verdadeiro perdão exige o real esquecimento da ofensa; a lembrança demonstra permanência da mágoa. O esquecimento providencial das reencarnações anteriores é ato de Misericórdia Divina: se as pessoas soubessem com clareza os erros recíprocos de vidas anteriores, a pacificação seria impossível — os conflitos seriam insuportáveis. Além disso, a recordação das próprias realizações nobres passadas poderia gerar jactância e marasmo, dispensando o esforço de continuar crescendo. À medida que o Espírito progride, a percepção se aguça e ele passa a recordar o que contribui para o progresso.
20. O Médico Interno
Conceito central do livro: dentro de cada ser humano existe um médico às ordens da mente — o sistema de auto-reparação que o Espírito encarnado comanda. O organismo é "laboratório de gigantescas possibilidades, sempre suscetível de autodesarranjar-se ou autorrecompor-se, conforme as vibrações emitidas pela mente."
Quando o indivíduo tem propensão ao pessimismo, ressentimento e desamor, "cargas deletérias são elaboradas e atiradas nos mecanismos encarregados de preservar-lhe a organização somática." O sistema imunológico responde ao estado mental: sob comando mental correto, produz "diversas células com poder quimioterápico, mediante o qual bombardeiam as rebeldes e doentes." A psiconeuroimunologia demonstra que "cada um é, na área da saúde, aquilo que pensa e quanto se faz a si mesmo."
O médico interior pode e deve ser orientado pelo: pensamento seguro, ânimo equilibrado, esperança de vitória, fé irrestrita em Deus e oração.
21. Dor-Reparação
A dor é pessoal e intransferível — ninguém pode compartir plenamente o sofrimento alheio, pois cada um está preocupado com o próprio fardo. A pretensão de que o calvário pessoal é o pior ignora os testemunhos invisíveis dos demais. Os tipos de dor: elevação (que eleva o Espírito), conquista (que desenvolve aptidões), resgate (que quita dívidas kármicas). Aceitar a dor-resgate como "fenômeno natural" é o caminho para vencê-la com trunfos de luz. "Dívida não paga ressurge com juros que a aumentam."
22. Amorterapia
O amor como medida terapêutica — proposta central de Jesus. O crime e o vício são "enfermidades da alma" que devem ser tratadas nas origens, não apenas punidas nos efeitos. Não se apagam incêndios com combustíveis; não se eliminam delitos eliminando delinquentes.
"O amor não acusa, corrige; não atemoriza, ajuda; não pune, educa; não execra, edifica; não destrói, salva."
A amorterapia é a solução que o indivíduo tem ao alcance: proporcionará recuperação da saúde quando enfermo, e fortalecimento para evitar adoecer — pois "enquanto houver no ser humano prevalência dos impulsos de violência e de ressentimento, de ciúme e de ódio... a problemática da enfermidade nele predominará."
23. Curas
A cura real procede do interior para o exterior — do cerne para a forma transitória. Tem início quando o paciente se ama e passa a amar o próximo. A cura orgânica, psíquica ou emocional é sempre suscetível de recidiva caso não haja mudança profunda de hábitos mentais. "Curar é liberar-se do ego inferior e alar-se ao Eu profundo, espiritual, sua realidade legítima." Jesus curava envolvendo o paciente em ondas de amor e, por sabê-lo eterno, recomendava: "não peques mais, para que não te suceda coisa pior" — apontando para a reforma moral como condição de saúde permanente.
24. Inteireza Moral
A quase totalidade das criaturas, diante dos desafios, posterga as soluções de profundidade, tomando decisões apressadas. A tibieza de caráter propõe trégua sem ir à raiz dos problemas. O mito de Sísifo é apresentado como metáfora da tarefa interrompida: quem não conclui seus deveres rola a pedra montanha acima interminavelmente, pois "dívida não dispensada regera problemas mais complexos." A inteireza moral orienta como fazer o que se deve fazer, sem dissimulação, astúcia ou improviso.
25. Plenificação Íntima
A transformação do mundo exige primeiramente a transformação interior — a "revolução íntima." Proposta social ou política, por mais nobre, falha enquanto o egoísmo e suas comparsas (presunção, violência, amor próprio, orgulho) permanecerem no coração dos indivíduos. O autoburilamento, passo a passo, irradia-se nos mais próximos e alcança gradualmente os grupos mais distantes. "Se quiseres, modificarás, com a tua atitude de amor, o mundo no qual hoje transitas."
26. Conserva-te em Harmonia
O planeta atravessa processo de depuração: o desequilíbrio e a violência predominam porque os bons são necessários nesse cenário para diminuir o tumulto. Os mártires históricos — Joana de Cusa, Jan Huss, Joanna d'Arc, Giordano Bruno — mantiveram-se em harmonia diante das chamas, demonstrando que a paz interior independe das circunstâncias externas. "Estes são dias graves. Conduze-te com robustez, apoiado no Evangelho de Jesus, seguindo confiante."
27. Orações Solicitadas
Crítica das "orações encomendadas" — herança do atavismo das preces pagas. Delegar a oração ao intercessor profissional priva o fiel do próprio benefício terapêutico da prece. A energia da oração é personalíssima: "quem ora eleva-se a Deus e penetra-se de bênçãos." A permeabilidade psíquica do que ora é condição de assimilação — orações encomendadas não geram essa abertura no receptor. Jesus nunca transferiu a oração para ninguém — no Tabor (transfiguração) e no Getsêmani (holocausto), a oração-entrega foi total e pessoal.
28. Mecanismos da Evolução
A evolução é inevitável. Todas as conjunturas difíceis — enfermidades, incompreensões, problemas do lar, limites orgânicos, dificuldades econômicas — são "mecanismos de que se utilizam as Leis Soberanas para estimular-te ao avanço." Mesmo os triunfos aparentes (fama, saúde, tranquilidade) podem tornar-se motivo de aflição se mal utilizados. Milton: "a fama é a espora que eleva o Espírito iluminado." A Terra é escola de aprendizes em fase de imperfeição — não há facilidade, improvisação nem sorte no dicionário dos Códigos Divinos. "Tudo são conquistas arduamente conseguidas."
29. Sobrevivência e Libertação
Os cristãos primitivos enfrentavam a morte cantando hinos — consideravam o corpo prisão e a morte libertação. A Idade Média distorceu a morte com superstições e pavor. O conhecimento da sobrevivência brinda a "certeza em torno da continuação da vida depois do decesso carnal." Quem deve temer a morte é aquele que se encarcera nas paixões inferiores. "A sobrevivência é luz brilhante no fim do túnel." O reencontro com os seres queridos sobrevivendo à forma orgânica é o prêmio à confiança em Deus.
30. Natal de Amor
Capítulo final. O nascimento de Jesus na Judeia ocupada por Roma — onde sacerdotes e levitas se engalfinhavam por prerrogativas, a espionagem tornava a vida insuportável, e o povo gemia sob a dominação arbitrária. Foi nesse lugar de sofrimento que Jesus chegou, "para assinalar a Era Nova e dividir os fastos da História." A proposta final: "deixa-O renascer na tua alma e agasalha-O, para que Ele siga em ti e contigo, por todos os dias da tua vida."
Argumento central
Desperte e Seja Feliz é o guia prático da Série Psicológica de Joanna de Ângelis. Se Autodescobrimento constrói o mapa (identidade, estrutura psíquica, inconsciente), Desperte fornece os instrumentos diários de navegação: como lidar com litígios, provocações, incompreensões e tentações sem sair do eixo; como manter a saúde pelo controle mental; como interpretar o sofrimento como recurso educativo.
O livro sustenta três teses que se entrelaçam:
Psicossomática espiritual: O Espírito governa o corpo através de ondas mentais que ativam ou inibem a capacidade imunológica do organismo. Pensamentos e emoções — otimistas ou pessimistas, amorosos ou ressentidos — produzem enzimas, endorfinas e encefalinas correspondentes. O médico interno aguarda o comando da mente para agir. A psiconeuroimunologia confirma, no plano científico, o que o Espiritismo afirma no plano espiritual.
Amorterapia como terapêutica universal: O amor não é apenas virtude moral — é medicamento. As doenças físicas, os crimes e os vícios são expressões de desequilíbrio interior que somente o amor, como "medida terapêutica," consegue sanar em profundidade. A punição, a repressão e a violência não curam — apenas suprimem temporariamente os sintomas. A proposta de Jesus — amar + perdoar + servir — é a única terapia que alcança a raiz do problema.
Responsabilidade pré-encarnacionária: Antes de encarnar, a alma escolheu suas provas e pediu as dificuldades que precisava enfrentar. As reclamações são, portanto, contradições internas: o ser reclama do que ele mesmo solicitou. Compreender isso transforma a relação com o sofrimento — de queixa para gratidão, de resistência para cooperação com o processo evolutivo.
Conceitos relacionados
- Joanna de Ângelis — espírito autora
- Divaldo Pereira Franco — médium
- Natureza de Jesus — Jesus como modelo central em todos os 30 capítulos; paradigma psicológico e terapêutico supremo
- Saúde Mental Espírita — caps. 7, 14, 20, 22, 23: médico interno; psiconeuroimunologia; amorterapia; cura real do interior para o exterior
- Fé — cap. 10: fé raciocinada; exemplos históricos de fé em ação (Kardec, Colombo, Edison, Semmelweis)
- Reencarnação — caps. 5, 6, 19: tentações como provas do processo evolutivo; escolha pré-encarnacionária das provas; esquecimento providencial como Misericórdia
- Provas e Expiações — caps. 6, 17, 21: reclamações indevidas; técnicas de reabilitação; dor-elevação, dor-conquista, dor-resgate
- Imortalidade da Alma — cap. 29: sobrevivência e libertação; morte como mecanismo de renascimento espiritual
- Leis Morais — caps. 8, 25: luta como bênção da lei do progresso; plenificação íntima como revolução interior
- Lei de Amor — caps. 18, 22, 23: autorrealização pelo amor; amorterapia; cura real pelo amor
- Prece — cap. 27: orações encomendadas criticadas; prece como ato personalíssimo; Jesus e a oração pessoal
- Escolha das Provas — cap. 6: alma que antes de encarnar escolheu seus testemunhos
- Esquecimento do Passado — cap. 19: esquecimento providencial das vidas anteriores como Misericórdia
- Perdão — cap. 19: verdadeiro perdão exige esquecimento real da ofensa
- Homem de Bem — cap. 13: edificações duradouras; o homem de bem é perseverante e discreto