Livro 1939

Adolfo Bezerra de Menezes — Apontamentos Biobibliográficos

1939

Adolfo Bezerra de Menezes — Apontamentos Biobibliográficos

Identificação

Texto biobibliográfico publicado pela Federação Espírita Brasileira (1939), incluído como prefácio na Coleção Bezerra de Menezes (FEB). 4 chunks, ~2.500 tokens. É a fonte de referência para a cronologia detalhada da vida de Bezerra de Menezes.

Cronologia Documentada

Origens e formação (1831–1856)

  • Nascimento: 29 de agosto de 1831, Fazenda Santa Bárbara, Riacho das Pedras, município de Riacho do Sangue, CE (hoje Jaguaretama)
  • Família: avô paterno (coronel Antônio Bezerra de Souza e Menezes) participou da Confederação do Equador — condenado à morte, pena comutada, faleceu no degredo; pai capitão/tenente-coronel da Guarda Nacional, faleceu de febre amarela em 1851; mãe Fabiana Cavalcanti de Alburquerque (1791–1882), lúcida aos 91 anos
  • 1838: primeiras letras na Vila do Frade, CE — masterizou o mestre em 10 meses
  • 1842: transferiu-se com a família para Serra dos Martins, RN (perseguições políticas); aprendeu latim em 2 anos, substituindo o professor
  • 1846: Fortaleza, estudou no Liceu do Ceará (primeiro aluno)
  • 1851: viajou ao Rio de Janeiro com 400 mil réis para estudar medicina
  • 1852: praticante interno na Santa Casa de Misericórdia; financiava os estudos dando aulas de filosofia e matemática
  • 1856: doutorou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro

Vida profissional e pública (1857–1885)

  • 1857: admissão no Corpo de Saúde do Exército (como cirurgião-tenente em 1858); membro titular da Academia Imperial de Medicina (tese sobre o cancro)
  • 1858: casou com Maria Cândida de Lacerda; ela faleceu em 1863, deixando dois filhos
  • 1860: eleito vereador pelo Partido Liberal — demitiu-se do Exército para ser elegível
  • 1865: segundas núpcias com Cândida Augusta de Lacerda Machado (irmã da primeira esposa); sete filhos
  • 1867: eleito deputado-geral (federal)
  • 1873: voltou como vereador após 4 anos de afastamento
  • 1878–1885: deputado à Câmara; criou Companhia de Estrada de Ferro Macaé–Campos (ganhou e perdeu fortuna)
  • 1885: fim da vida parlamentar (30 anos no Parlamento)

Missão espírita (1875–1900)

  • 1875: recebeu O Livro dos Espíritos do tradutor Joaquim Carlos Travassos (pseudônimo "Fortúnio"), primeira tradução brasileira
  • 1882: influenciado pelas curas extraordinárias do famoso médium receitista João Gonçalves do Nascimento
  • 1883: Reformador fundado por Augusto Elias da Silva; Bezerra aconselhou: "contrapor ao ódio, o amor, e a agir com discrição, paciência e harmonia." Começou a colaborar com as iniciais "A.M."
  • 1884: FEB fundada — Bezerra não quis ser fundador (embora amigo de todos os diretores)
  • 1886 (16 ago): conferência pública na Guarda Velha, 1.500–2.000 presentes — declaração definitiva de adesão ao Espiritismo
  • 1889: primeiro mandato como presidente da FEB; iniciou estudo semanal de O Livro dos Espíritos
  • 1895 (3 ago): assumiu pela segunda vez a FEB, para unir os espíritas divididos entre "místicos" e "científicos"
  • 1900 (11 abr): desencarnação às 11h30, Rio de Janeiro, com a esposa Cândida Augusta ao lado

Legado bibliográfico e póstumo

  • Pseudônimos: Max (O Paiz), Frei Gil, A.M. (Reformador)
  • Mais de 40 obras escritas e publicadas (teses, romances, biografias, artigos, relatórios)
  • Escreveu em: O Paiz, Sentinela da Liberdade, Anais Brasilienses de Medicina, Reforma, Revista da Sociedade Físico-química, Reformador
  • Morreu em pobreza — clientela eram os pobres sem condições de pagar; comissão presidida por Quintino Bocayuva angariou donativos para a família
  • Referência ao destino revelado por Ismael (antes de encarnar): "Outra missão o aguardava, esta mais nobre ainda, aquela de que o incumbira Ismael."
  • Léon Denis: "Quando tais homens deixam de existir, enluta-se não somente o Brasil, mas os espíritas de todo o mundo."

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