Livro 1947

Volta Bocage...

Manuel Maria de Barbosa du Bocage — 1947

Volta Bocage...

Identificação

Obra psicografada por Francisco Cândido Xavier contendo 12 sonetos ditados pelo Espírito do poeta português Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765–1805), com apreciação, comentários e glossário pelo Prof. L. C. Porto Carreiro Neto. Psicografada em Pedro Leopoldo, em sessões realizadas de 25 de novembro a 6 de dezembro de 1946. Publicada em 4ª edição (1988, FEB).

Circunstâncias da psicografia

A série de sonetos começou quando o guia espiritual Emmanuel avisou ao grupo: "Agora peço concentração, porque vamos receber uma lembrança de um Espírito que há mais de cem anos não se comunica com a Terra." Os sonetos foram ditados em sessão pública no Grupo Espírita "Luiz Gonzaga" e em círculos reduzidos — cada soneto escrito em não mais de três minutos, após sessões estafantes. Todos os sonetos traziam a assinatura de Bocage.

Inicialmente autorizados 10 sonetos, o confrade Ismael Gomes Braga pediu que fossem 12 (número místico do Cristianismo). Bocage consultou e obteve autorização, prometendo dedicar o último soneto (XII) a Deus — promessa que cumpriu.

Estrutura

  • Apreciação (pp. 2–14): longa análise crítica e biográfica do poeta por L. C. Porto Carreiro Neto
  • Esclarecimento (pp. 14–16): relato histórico das circunstâncias da psicografia
  • Sonetos I–XII (pp. 17–30): os 12 sonetos com comentários em prosa após cada um
  • Agradecimento (p. 31)
  • Glossário (p. 32): termos mitológicos e arcaicos usados nos sonetos

Os sonetos como curso de Espiritismo

O comentador Porto Carreiro Neto afirma que os sonetos formam um "verdadeiro curso de Espiritismo" — cobrindo os principais ensinamentos da doutrina em forma poética. Os temas abordados nos 12 sonetos incluem:

  1. Soneto I: O homem como espírito decaído preso à matéria por seu orgulho — "Traz, desditoso, o cárcere consigo, / Atado à Morte em plena Eternidade."
  2. Soneto II: A revelação espírita — Elmano retorna do "inferno" para proclamar a verdade; "Consterna-me a Verdade alucinante."
  3. Sonetos III–XI: Progressão pelos grandes temas: vícios, vaidade, o corpo como cárcere temporário, a sobrevivência do espírito, a comunicação entre os mundos, o destino da alma
  4. Soneto XII: Hino ao Criador — louvor a Deus pela grandeza da Criação; Bocage admite a impossibilidade de expressar adequadamente tamanha majestade

Bocage: o poeta e sua trajetória espiritual

A "Apreciação" traça um retrato de Bocage como espírito complexo — romântico, irrequieto, satirista temido pelas autoridades eclesiásticas, preso pelo Santo Ofício, mas fundamentalmente crente em Deus. Porto Carreiro Neto demonstra com extensas citações dos versos de Bocage em vida que o poeta dedicou sonetos a Deus, ao Cristo e à Virgem, e jamais foi o "ímpio" que seus detratores alegavam.

Após a desencarnação, "na ilustre escola do Espaço, banhado na alvinitente luz de tão sábia companhia, pôde eleger o rumo que lhe convinha" — tornando-se um mensageiro da Doutrina Espírita pela mesma arte poética que marcou sua vida.

Autenticidade poética

Um elemento de autenticidade apontado pelo comentador: os sonetos foram redigidos em ortografia antiga (a do tempo de Bocage), diferente da utilizada pelo médium Chico Xavier. Olavo Bilac, considerado o príncipe da poesia brasileira, afirmou que Bocage "foi ele o máximo cinzelador da métrica" em Portugal — o que torna a comparação do estilo dos sonetos psicografados com o original uma ferramenta de verificação.

Conexão com Voltei

O livro menciona uma publicação anterior — Voltei, de Chico Xavier, FEB — onde Bocage já havia se comunicado. Volta Bocage... seria a continuação dessa comunicação, agora em forma exclusivamente poética.

Conceitos relacionados

  • Imortalidade da Alma — A própria existência dos sonetos demonstra a sobrevivência do espírito; o Soneto XII é um hino ao Criador eterno
  • Livre-arbítrio — Soneto I: o homem se arremessa a "negro fado" pelo mau uso do livre-arbítrio; "Não forçam corações as divindades"
  • Reencarnação — Referências à "lei do Carma" e ao retorno para cumprir missão específica em época propícia
  • — O arco narrativo de Bocage: do ateísmo aparente à proclamação explícita da fé em Deus e Cristo
  • Codificação Espírita — Os sonetos cobrem os "pontos altos da Doutrina Espírita" segundo o próprio comentador