Livro 1976

Auta de Souza

Auta de Souza — 1976

Auta de Souza

Coletânea poética psicografada por Francisco Cândido Xavier, ditada pelo Espírito de Auta de Souza (1876–1901), poetisa norte-rio-grandense conhecida como "a maior poetisa mística do Brasil" (Câmara Cascudo). O livro foi publicado em 1976, no ano do centenário do nascimento de Auta — também o 66.º aniversário de Chico Xavier — com prefácio de Clóvis Tavares.

Quem foi Auta de Souza

Nascida em Macaíba (Rio Grande do Norte) em 12 de setembro de 1876, Auta de Souza foi uma das mais significativas poetisas cristãs do Brasil. Órfã de mãe antes dos 3 anos e de pai pouco depois, cresceu no Recife sob os cuidados da avó materna (a "Dindinha"). Educada pelas Irmãs de São Vicente, aprendeu francês e leu Lamartine, Vítor Hugo, Chateaubriand — além da Imitação de Cristo e as obras de Santa Teresa d'Ávila.

Em 1890 manifestaram-se os primeiros sinais de tuberculose. A doença avançou enquanto ela peregrinava pelos sertões em busca de clima mais seco (Macaíba, Natal, Serra da Raiz, Nova Cruz, Angicos...). Seu único livro em vida, Horto, saiu do prelo em 20 de junho de 1900 — esgotado em sessenta dias. Na madrugada de 7 de fevereiro de 1901, Auta desencarnava em Natal, aos 24 anos, com os olhos tranquilos e as mãos acenando adeus.

Olavo Bilac reconheceu-a como "poetisa de raro merecimento"; Tristão de Ataíde a situou como "um dos altos mais puros e mais solitários" da poesia cristã brasileira; Manuel Bandeira releu sua biografia "com emoção".

Auta de Souza é seu segundo livro — o primeiro do Além, publicado exatamente cem anos após seu nascimento.

Estrutura

O livro começa com um longo prefácio biográfico (Notícias de Auta), seguido de mais de 80 poemas. Os títulos revelam a continuidade de sua vocação: Caridade, Caridade e Perdão, Segue e Confia, Serve Sorrindo, Bendita Sejas, Louvadas Sejas, Obras de Deus, Rimas da Esperança, Trovas de Fé e Razão, Trovas para Jesus, Canção Materna, A Jesus, Prece a Jesus, em Oração, Meditação, e muitos outros.

Continuidades da poetisa no Além

O prefaciador Clóvis Tavares ressalta o que permanece: "sentimos a mesma Auta, generosa e humilde, toda inclinada para os sofredores, para os humilhados, para os tristes... Agora, é portadora de uma Nova Luz, mensageira de esperanças mais dilatadas."

A tônica da nova poesia mantém os temas do Horto: sofrimento como caminho, amor cristão, urgência do serviço, a criança como símbolo de pureza. Mas há uma nova dimensão: a visão mais ampla de quem já cruzou o limiar.

Urgência espiritual: "Segue os passos do Mestre enquanto é dia... / Porque a noite da morte é triste e densa / Para aqueles que dormem sob a treva."

Amor materno espiritual: A "Canção Materna" exemplifica como Auta, que jamais teve filhos, expressava sua maternidade de alma: "Filho do coração, além das dores / Da cruz de pranto que te dilacera, / Fulge, sublime, excelsa primavera / Ao sol do amor de todos os amores."

Caridade como imperativo pós-oração: "Depois da prece doce em teu recanto, / Onde a luz do conforto surge, acesa, / Vem ouvir os gemidos de tristeza / Da miséria que a noite afoga em pranto." Auta não separa a contemplação do serviço — a prece culmina no encontro com os sofredores.

A prova como burilamento: Tema constante do Horto, aprofundado: "Trabalha, serve e crê, ama e confia / E ascenderás à glória da alegria / No coração de luz da Eternidade."

Significado histórico

Este livro foi psicografado no ano do centenário de nascimento de Auta (1876–1976). É um dos raros casos em que um espírito de notoriedade literária reconhecida — com críticos como Bilac, Bandeira e Câmara Cascudo atestando sua grandeza em vida — retorna através da psicografia para um segundo livro, permitindo comparação estilística com a obra em vida.

O prefácio cita especificamente a antologia Parnaso de Além-Túmulo (1932) de Chico Xavier como precedente: assim como Augusto dos Anjos e Guerra Junqueiro lá mantiveram seus estilos característicos, Auta mantém aqui seu lirismo cristão e seu amor pelos sofredores.

Referências cruzadas

  • Chico Xavier — médium
  • Caridade — imperativo central de toda a obra
  • Prece — ponto de partida para o serviço
  • Provas e Expiações — o sofrimento como escola e caminho de purificação
  • — fé ativa, não contemplativa
  • Psicografia — mecanismo mediúnico notável pela fidelidade de estilo

link Páginas que referenciam esta

Pessoas