Livro

Amizade

Meimei

Amizade

Antologia temática ditada pelo Espírito Meimei a Francisco Cândido Xavier. O título é também o tema central: a amizade como base de todos os vínculos espirituais — com Deus, com os semelhantes e consigo mesmo. Ao contrário dos volumes de Emmanuel, o tom de Meimei é mais intimista e poético, frequentemente na segunda pessoa, como carta de uma amiga sábia.

Estrutura

Série de meditações breves com títulos poéticos: "Segue Adiante", "Agradece", "Alguém Hoje", "Ama Sempre", "Amizade", "Avaliação", "No Caminho das Virtudes", "Toque de Amor", "Toque de Fé", "Professores Diferentes", "A Resposta", "Rogativa da Máquina ao Homem", "Voz de Coração", entre outros.

Ensinamentos centrais

Agradece a todos — inclusive aos que ferem: A abertura programática do livro: "Agradece as mãos que te constróem a existência (...) mas endereça os teus pensamentos de gratidão àquelas outras que te ferem com os espinhos da incompreensão, ensinando-te a conviver e a servir." O argumento é inverso ao sentimento natural — os que nos causam dificuldade são os melhores professores.

O diamante de carbono: Uma das parábolas mais elaboradas do volume: um pedaço de carbono humilde pede a Deus para subir à superfície e ser útil. Deus determina que permaneça no subsolo para maturação. Ao ser finalmente exumado — a golpes desapiedados de instrumentos de perfuração —, o carbon sublimado revela-se um diamante. A lição: os que parecem nos negar ou ferir são instrumentos da maturação que nos transforma em "flor do arco-íris com o fulgor das estrelas."

Alguém Hoje: Meimei chama o leitor à disposição permanente de servir: "Organiza as tuas prateleiras de bondade e serve esperança e coragem aos que te busquem apoio. (...) NÃO TEMAS. SE DESEJAS RENOVAÇÃO E SE TENS FÉ, podes claramente entrar no serviço ao próximo, a colaborar no supermercado da luz."

Ama sempre — o julgamento é dos homens: "O julgamento é dos homens, mas a Justiça é de Deus." Aceitar os outros tais quais são, em vez de tentar corrigi-los por fora, decorre da parábola da roseira: quem tenta corrigir o monte de terra adubada de onde a planta cresceu acaba decepando a raiz e matando as flores. Os que habitam situações de aparente lodo podem ser as raízes das rosas da nossa alegria.

Professores diferentes: O texto central do livro apresenta o ensinamento sob a forma de relato de um orientador que descreve como chegou ao amor, ao perdão e à paz — não por via de virtude espontânea, mas pela observação dos que falharam: "Quando ví o homem que odiava, atacado de loucura, descobrí o caminho do amor. Observando as criaturas vingativas, carregando as pesadas cadeias do ressentimento, achei a leveza do perdão." Meimei conclui: Jesus não recomendou orar pelos perseguidores apenas por bondade — também como "convite à gratidão pelo amparo indireto desses professores diferentes aos quais nem sempre sabemos agradecer."

A Resposta (parábola de Jesus e a mãe): Uma mulher desencarnada, desolada pelo sofrimento que o filho lhe causou em vida, suplica a Jesus que explique por que foi tão maltratada. Jesus acaricia sua cabeça e responde que apenas o amor pode educar os filhos de Deus. Quando ela pergunta quem colocou em seus braços semelhante martírio, Jesus responde simplesmente: "Minha filha, fui eu." A prova não é acidente — é designação.

Rogativa da Máquina ao Homem: Meimei empresta voz às máquinas como reflexos da inteligência humana iluminada pelo divino: "Criaste-me, em nome de Deus para servir-te. Usa-me com o raciocínio no qual me fizeste para que não me desequilibre." O texto é uma meditação sobre responsabilidade e respeito aos instrumentos que o próprio homem cria.

No Caminho das Virtudes (conto alegórico): Deus convoca as Virtudes para construir um grande palácio. Geometria, Cálculo, Beleza, Cultura, Prudência, Alegria — todas contribuem. Terminada a obra, porém, o palácio fica às escuras. A Administração Celestial envia então a única Virtude capaz de trazer a luz — a Humildade, que entra "evitando os espelhos da popularidade e da fama", esculpe a tomada elétrica e se retira discretamente. A mansão passa a irradiar luz, mas ninguém encontra mais a mensageira.

Mediunidade como instrumento vibrátil: O livro encerra com uma epígrafe de Emmanuel que dialoga com o tema: "Mediunidade é instrumento vibrátil e cada criatura consciente pode sintonizá-lo com o objetivo que procura." A amizade com o plano espiritual se expressa pela qualidade do que cada um sintoniza em si mesmo.

Contexto

Amizade pertence à série de antologias temáticas psicografadas por Chico Xavier sob a tutela de Meimei — entidade feminina de origem oriental que assina diversas obras na tradição espiritualista brasileira. O tom distinto de Emmanuel — mais pastoral, mais alegórico — caracteriza o estilo de Meimei: parábolas elaboradas, imagens poéticas, personagens que falam em primeira pessoa.

Referências cruzadas

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Conceitos

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